sexta-feira, novembro 16


Sinto falta daqueles dias em que eu podia contar com alguém pra me fazer sentir melhor, sinto falta daqueles dias não entorpecidos que não desistiam no primeiro percalço e que não me largavam no meio da solidão esperando os dias de sol, sinto falta de não sentir falta. Porque hoje eu só sinto vontade de gritar: “Ei, eu estou aqui!” pra ver se consigo um pouquinho daquela atenção tão apreciada. Pois sou como uma montanha, cheia de altos e baixos e preciso de alguém que ame os meus baixos, que queira cair comigo, que esteja disposta a sacrifícios, porque não sou sempre dia, também sou noite, e sou noite de apagão, noite daquelas onde nenhuma faísca aparece, e são nessas noites que quero sentir um calor a me dizer: “estou aqui”, sem precisar de gritos.

terça-feira, junho 19

As vezes eu queria que ele soubesse o quanto eu choro a noite, queria que soubesse quantas noites deixei de dormir, queria que soubesse o quanto eu sofro por amá-lo, e o quanto eu me odeio por estar morrendo, e assim ainda deixá-lo matar-me ainda mais com qualquer sorriso. Ah, o que faria se soubesse da inveja que eu sinto por ter essa capacidade de me despedaçar sem ao menos saber? Só sendo você mesmo, me "amando" com moderação. E eu aqui, somente com o dom de ser despedaçada, de tentar agradar não sendo eu mesma, tendo tentativas falhas, amando incondicionalmente e, perdoem-me pela brutalidade, me fodendo. Mas por favor, não me interpretem mal, não levem essa história como  a de um amor não correspondido, onde o vilão parte o coração da mocinha. E sim, a história da mocinha que inventa maldades para o vilão, por ser fraca demais. Então invertam e vejam a "mocinha" como vilã, e o "vilão" como mocinho, pois foi assim que ela se fez.

sexta-feira, abril 20

Por isso que sempre lhe pergunto sobre a “certeza” das coisas, nunca acreditei muito em palavras vãs, sou de promessas, de certezas e de verdades. Mentir é coisa tão vã, tão ilusionaria, pra quê mentir, por quê mentir? Se a verdade sempre prevalece? Só queria que conversasse comigo, falasse sobre seu passado, sobre seus pecados, sobre os seus sentimentos, queria tanto ser a única a conseguir alcançar seu coração, pois eu sei que o interesse não me falta. E não é por curiosidade e sim por amor, por gratidão, queria sentir-me como um escape de teus problemas, assim como você se faz de um pra mim, assim como abuso de tua boa vontade pra te jogar minhas escuridões, só queria me sentir um pouco menos inútil.”

quarta-feira, abril 11

Estou errando em construir castelos em propriedades suas, estou errando em esquecer de mim e lembrar de ti, estou errando em estar sozinha todo tempo e você estar em companhia. Só estou me comportando com infantilidade, esquecendo que existe um ‘eu’ além de um ‘tu’, que existe um Deus além de um ‘eu’, que existe vida além do amor, e que tudo pode se combinar. O meu problema é o eu, o meu problema é ser eu, mas já que isso não pode mudar, adaptar-me-ei ao que virá.

segunda-feira, abril 9

Espero adquirir o perdão algum dia, ser perdoada por ser tão falha, tão fraca, tão pouca. Questionei o motivo do seu amor, e me respondestes com a graça de um anjo, porém lhe retribui com a ingratidão de um demônio. Espero que me perdoe por essa cabeça pequena e cheia de manias, por essa mania de brincar com coisa séria, por essas brechas que me deixam falhar. Amanhã, outro dia, espero que possa olhar em teus olhos e que tu me convertas de demônio a anjo, me dizendo que podemos recomeçar, que tu te esqueces das minhas falhas e com coração aberto, me deixa entrar.

domingo, abril 8

Hoje entrei e fechei as janelas. Desejando o retorno dela para escurecer de novo o meu ser, desejando senti-la e absolver-me pelo tempo que a deixei, dialogar sobre o arrependimento de tê-la deixado por tão longa data e retornar para o abrigo de seus braços.
Mas senti dúvida quanto ao seu retorno, senti-me uma estranha em meio a tanto silêncio. Meu coração fez barulho demais e desacostumou com a sua falta de palavras. E agora, não sei mais como ouvir os seus conselhos, por isso estou aqui em meio a confusões inimagináveis, por causa de tanta algazarra estou num vale de lágrimas.
Hoje penso em como seria bom escutá-la novamente, escutar o silêncio de seus conselhos, obedecê-la e admirá-la. Pois podes ser tão bela quanto assustadora.

sábado, abril 7

Se as portas contassem todas as vezes que foram o apoio para as minhas decepções, e as paredes contassem tudo que viram , se o chão falasse quanta dor e sangue recebeu ou se as pessoas soubessem o quanto a noite me inspira, escreveria um livro. Porque nada é mais bonito do que um pôr-do-sol, nada é mais perfeito que a escuridão. Para que, tanto medo do breu? Deveríamos ter medo da luz, pois quando o abandono vier, a escuridão será uma boa amiga. Dará-nos o apoio que precisamos e nos dará o silêncio que é preciso e não nos abandonará, pois claridade acaba, escuridão permanece, por mais escondida que esteja, lá está ela, esperando o bom momento para mostar o quão acolhedora pode ser.

sexta-feira, abril 6

Sinto sua falta. Não sei se é o melhor jeito de começar um texto, mas é exatamente o que se passa na minha cabeça nesse momento. Amor, outra palavra que se passa em minha mente e me deixa assim, com o coração tão apertado, pulsando devagar e dolorosamente. Não sei o que está se passando agora em sua vida, nem em sua mente, mas tenho a clareza nos meus pensamentos que não foi por falta de tentativa. Lágrimas quase desceram dos meus olhos, mas recusei-me a deixá-las cair, por medo. Chorei tantas vezes antes, mas agora já estou calejada, evito dar brechas para lágrimas, elas externam a dor que eu sinto, aquela dor que não quero sentir. Tanto tempo meu amor, tanto tempo sem saber o que é o brilho do seu olhar, tanto tempo que cheguei a me esquecer do conforto de teu abraço, tanto tempo que sua imagem não pertence mais ao meu discernimento, mas teu sorriso aparece no escuro da minha mente e me lembro do motivo que cheguei até aqui e reconheço o motivo da minha dor.

quinta-feira, abril 5

Se perturbe meu bem, se bagunce de um jeito só seu, confunda sua cabeça para me amar sempre, pois esse ciclo é mais perigoso do que pensa, ele afeta minha razão e ajo como se tudo fosse acabar ao por do sol. Desculpa se faço coisas sem pensar e aceite o meu jeito de tentar me redimir, quando te peço perdão, é o amor que brota em meu coração, e o único jeito que consigo demonstrar amor é implorando perdão por ser eu, errada, desordenada, adoidada na vida, conseguindo tropeçar em tudo que é ruim. Porém eu levanto meu amor, levanto para tropeçar de novo, porque minha fé, aquela da qual você admira, está aqui, e esta fé é a qual me fará te ver no altar.

quarta-feira, abril 4

Não sei o que é belo, seu moço, não sei nem quem eu sou. Costumava ser alguém
Do qual fingia conhecer e agora não sei mais se estou me conhecendo ou me perdendo,
Só sei que estou uma bagunça, mas não é qualquer bagunça, eu estou um dilúvio,
Estou me afogando em lágrimas e desespero. Mas não, senhor, ninguém sabe disso,
Fico feliz por ninguém perceber meu desespero, iriam se exaurir de mim, pensar no
Quão dramática sou. Ás vezes penso sim, em contar algo para alguém, falar sobre os fantasmas
Do passado que ainda me assombram, ou falar da existência do presente que me assusta. Mas acho que não estão interessados seriam dias, bom moço, dias para falar de tudo que me angustia.
Estou me fechando, ou me abrindo. Estou vivendo ou morrendo a cada viver. Quero aventuras,
Para ter certeza que estou viva, ou pelo menos me consolar com o coração batendo forte.

terça-feira, abril 3

Não tenho certeza sobre a reciprocidade disso, esses sentimentos me confundem, você me confunde. Tão silêncioso e faz tanto barulho em meu coração, como um trio elétrico, chega a ensurdecer os meus sentidos e jogar minha racionalidade no lixo. Sem respostas evasivas, você me convence com esse seu jeito direto, mas basta algumas horas para se esvair. Acreditando no errado hoje deixo de lado pensar o que é certo, suspeito de tudo, mas meus sentidos são instintivos quando se trata de você, são incontroláveis. Não sei mais se é certo ou errado, não escuto mais a minha voz racional, só escuto o meu íntimo, que me deixa tonta, procurando em tudo ver seus olhos, ouvindo a sua voz em qualquer som e sem conseguir encontrar seu inconfundível sorriso. Não sei mais como nomear isso que estou sentindo, Eros ou Ágape, mesmo tão efêmero, que seja feliz enquanto durar.

segunda-feira, abril 2

Quero mais amor, quero mais carinho, quero mais beijinhos. Preciso de abraços quentes em braços tão seguros como o teu, estou precisando de você cada vez mais e procurando um jeito de demonstrar isso. Acho que estou indo pelo caminho errado, não sei muito bem, pois permaneces calado e como esse teu silêncio me corrói, só Deus sabe o que a falta de palavras me causa. Ás vezes converso tanto que esqueço do teu silêncio, minha fala é o disfarce mais preciso que encontrei pra te manter em mim, cobrindo os teus defeitos. Faço aquelas de tipinho anti-horário que deseja tudo e se arrepende do desejo. Sou menina que quer agradar e sempre anda pelo trilho incerto da incerteza dos seus próprios desejos, assim sou eu, esse eu que tanto quer você, mas não do jeito que demonstra querer, pois é bem melhor que isso. Quero você para um café no fim da tarde, quero você pra cometer as mais seguras loucuras, quero você pra te chamar de anjo enquanto o mundo me diz que anjos não existem, te quero para olhar nos olhos e ver escrito neles palavras de amor que jamais foram ditas mas já estou enjoada de saber, te desejo em uma noite fria depois de um dia árduo, abraçando-me e dizendo que tudo vale a pena se estamos juntos.

domingo, abril 1

CAUTION estava escrito naquele papel, ela abaixou e o pegou, analisou com aqueles olhos tão cansados e com a sua visão embaçada. "Preciso ir ao médico" ela pensou, ignorando o breve aviso que dizia tanto.
Andando pelas padieiras de uma rua chamada vida, encontrou grandes obstáculos e se apegou a um, fez morada nele e promessas escreveu sobre a rocha tão solta que quase não se encontrava no chão. Até que um dia ele realmente se soltou e para ir com o vento teve de machucá-la.
Depois de cair em meio ao sangue, encontrou forças para se levantar, sempre rodeada dos figurantes que passavam, mas sempre sozinha. Caminhando em meio a obstáculos, porém não se esbarrando em nenhum, só encostando em alguns para descansar e saindo bruscamente como aprendera com o seu primeiro.
Resolveu voltar atrás e recomeçar, mudar o rumo da padieira e ir em direção à felicidade somente desviando dos obstáculos, jamais esbarrando e nem descansando neles, mas um dia tão nublado o cansaço veio e ela mesmo com medo descansou em um, pensando que seria fácil voltar para a caminhada, a longa jornada de juntar os cacos da antiga padieira. Não foi bem assim, já que ela se viu fazendo morada novamente, "fazer tudo certo" pensou ela novamente, planejando jamais escrever promessas sobre rochas soltas outra vez e então continuou lá nessa montanha com declives.
"CAUTION" ela se lembrou das palavras escritas no pequeno papel e por um momento agradeceu a quem escreveu, mas não lamentou por não tê-las seguido, pois percebeu que poderia ficar ali, sem pronunciar nenhuma palavra, com ele nos seus braços e finalmente sentindo o desespero de um amor que traz paz.